Volkswagen explica porque carros elétricos no Brasil são caros

Você já sonhou em dirigir um dos muitos carros elétricos no Brasil? São algumas boas opções disponíveis no mercado, desde os 100% elétricos até os híbridos.

Infelizmente, uma razão impede que esse tipo de veículo seja mais popular no país: o preço. Os carros elétricos no Brasil são mais caros do que veículos a combustão com a mesma faixa de potência.

Mas por que será que isso acontece? A Volkswagen veio a público para explicar em uma entrevista recente.

Por que os carros elétricos no Brasil são tão caros?

Segundo Hans Dieter Potsch, executivo da Volkswagen, os carros elétricos são mais caros no mundo todo, não apenas no Brasil. De acordo com a sua entrevista ao Inside EV, o problema dos preços dos elétricos é a bateria.

Segundo ele, os carros mais compactos exigem custos de produção mais baixos e não dá para atingir esse custo de produção atualmente com as baterias elétricas disponíveis no mercado.

É por isso que vemos carros elétricos em segmentos naturalmente mais caros, como os modelos esportivos de topo, modelos premium ou SUVs, que são maiores e com preço de venda maior.

Isso acontece porque a margem para eletrificar esses veículos é maior do que os compactos. Pense assim: imagine que custe R$ 5.000 uma bateria (não é um valor real, apenas uma suposição). O custo dela em um caror que já custa R$ 30.000 para ser produzido é bem menor do que em um carro que custe R$ 7.000. Por isso, dá para colocar a bateria nos modelos mais caros e não nos modelos compactos.

Para mudar essa situação, seria necessário um avanço na tecnologia de baterias de carros para que elas fiquem mais baratas e acessíveis, permitindo que os veículos compactos possam usá-las no modelo atual.

É por isso, por exemplo, que todos os carros elétricos da Volkswagen, que serão lançados pela linha ID, tem dimensões de um carro premium.

É o ID Golf, o ID Crozz (que é uma SUV), o ID Vizzion (que é um sedã de luxo) e, claro, o ID Buzz (uma minivan que é a sucessora da Kombi).

Os carros da linha ID terão um motor elétrico de 170 cavalos de potência, que vai de 0 a 100 quilômetros por hora em menos de 8 segundos. Essas baterias terão autonomia que vai de 321 quilômetros até 547 quilômetros por carga, dependendo do modelo.

Mas os carros elétricos não compensam mesmo assim?

Na verdade, não. Como os carros elétricos estão voltados para setores intermediários ou de luxo, eles não são tão vantajosos para quem busca um compacto ou um veículo de entrada.

Vamos fazer uma simples comparação: o Volkswagen Gol, o carro de entrada da marca, é comercializado por 46.320 reais na versão mais básica de todas.

Se você pretender ficar com o carro por 5 anos, você teria gasto:

  • 320 reais do veículo;
  • 255 reais de manutenção mensal (totalizando 75.300), já incluso gastos de depreciação e gasolina.

No total, você gastaria R$ 121.620 com o veículo durante esses cinco anos. Na revenda, teria de vender por um preço aproximado de R$17.280 por causa da depreciação, então terminaria com um custo total de R$ 104.340.

Só o preço de mercado de um Renault Zoe (R$149.990) ou de um Nissan Leaf (R$ 178.400) já é maior do que os 5 anos de uso do Gol. Isso sem falar no gasto elétrico, manutenção, seguro e outros.

Ou seja: economicamente falando, um carro elétrico ainda é para quem tem muito dinheiro. Esperamos que isso mude em breve, para que todos possam aproveitar das suas características e contribuir para um planeta menos poluído.

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